É perfeitamente normal sentir timidez, insegurança ou ansiedade em ocasiões que fogem do nosso meio de vivência. O desconforto diante de pessoas desconhecidas ou de situações completamente novas é uma reação natural da espécie humana: existe um processo de familiarização prévio até que o indivíduo sinta-se à vontade com as condições não usuais que o cercam. Tal desconforto costuma desaparecer espontaneamente – basta um pouco de convivência com a nova situação e logo a inibição inicial vai embora.

Mas e quando esse desconforto não diminui, ou até aumenta conforme o indivíduo se insere no novo meio? E aquelas pessoas que sentem-se tímidas e ansiosas só de imaginar a possibilidade de estar entre estranhos, e preferem abrir mão de eventos sociais para não precisar passar por tal constrangimento? Estes casos extremos, onde a vida interpessoal do indivíduo é comprometida, caracterizam fobia social – um grave transtorno de ansiedade que deve ser reconhecido e tratado de forma séria.

Conheça mais sobre as causas, sintomas e tratamentos da fobia social. Aprenda a reconhecer o distúrbio para não confundí-lo com emoções não-patológicas:

CAUSAS

A fobia social se caracteriza pelo medo extremo e irracional de estar entre outras pessoas. Assim como os demais problemas relacionados à saúde mental, é difícil determinar com exatidão o que desencadeia um quadro de fobia social – atualmente, acredita-se numa interação entre fatores genéticos e fatores externos, relacionados ao meio e às vivências do indivíduo. Os principais fatores de risco incluem:

Histórico familiar: ainda que não exista confirmação sobre a relação entre os genes e a incidência de distúrbios de saúde mental, indivíduos com familiares que possuem fobia social parecem estar mais dispostos ao desenvolvimento do quadro;

Formação cerebral: a região do cérebro chamada “amídala cerebelosa” é responsável pelas emoções do indivíduo, principalmente relacionadas ao medo. Quem possui essa estrutura hiperativa pode sentir ansiedade de forma mais agravada, propiciando o desenvolvimento de fobia social;

Traumas: especialmente se ocorridos durante a infância, traumas como abuso sexual, bullying ou rejeição no ambiente escolar são capazes de deixar consequências psicológicas irreparáveis, que podem propiciar o surgimento de fobia social;

Estar fora do padrão: gagueira, desconfiguração facial, cicatrizes grandes e evidentes, malformações corporais ou quaisquer outras diferenças que provoquem olhar de estranhamento podem fazer o indivíduo se sentir rejeitado pela sociedade, desenvolvendo fobia social como resposta;

Situações estressantes: especialmente na adolescência (período de maior vulnerabilidade emocional), indivíduos que já apresentavam timidez e ansiedade excessivas e são forçados frequentemente a falar em público ou a se relacionar com novas pessoas podem desenvolver fobia social.

SINTOMAS

Num primeiro momento, pode ser difícil identificar a fronteira entre a timidez excessiva e fobia social – em geral, caracteriza o distúrbio quando o comportamento começa a trazer sofrimento constante e prejuízos para a vida do indivíduo, como demissão do emprego, baixa no rendimento escolar, incapacidade para manter relacionamentos amorosos ou amistosos.

Os sintomas físicos de fobia social costumam se manifestar quando o indivíduo está exposto (ou prestar a ser exposto) à situação que o tira da sua zona de conforto. Entre os mais recorrentes, estão:

Batimento cardíaco acelerado;
Sudorese e dificuldade para respirar;
Náuseas, vômitos e dores no estômago;
Diarreia;
Tensão e dor muscular;
Tontura.

Já os sintomas comportamentais tendem a se manifestar durante o cotidiano da pessoa com fobia social. São eles:

Ser monossilábico nas situações em que precisa interagir;
Preferir estar sozinho do que acompanhado;
Sentir ansiedade extrema ao saber que determinado evento público se aproxima, a ponto de comprometer sono e apetite;
Evitar prolongamento conversas ou emissão de opiniões, por medo de ser o centro das atenções ou receber julgamentos;
Passar longos períodos após um evento social avaliando seu desempenho na interação com os outros e remoendo suas falhas de comportamento;
Evitar atos cotidianos que possam causar constrangimento, como comer ou escovar os dentes na presença de outras pessoas;
Abusar no uso de álcool e drogas, na busca de facilitar o processo de interação.

TRATAMENTOS

O primeiro passo para tratar a fobia social é reconhecê-la como um distúrbio, e parar de mascará-la como “vergonha” ou como “jeito da pessoa”. Outra atitude inadmissível é tentar mudar o comportamento de alguém que demonstra indícios de fobia social forçando-o a interagir publicamente – isso apenas aumentará o trauma social e tornará ainda mais difícil que a pessoa consiga se relacionar normalmente algum dia.

Por não ser um distúrbio totalmente biológico e nem totalmente psicológico, o tratamento da fobia social exige uma abordagem múltipla. O uso de medicamentos antidepressivos e tranquilizantes se faz necessário para controlar a ansiedade e o medo excessivos – mas se torna muito mais efetivo quando combinado com acompanhamento psicoterapêutico. Hoje, a tecnologia consegue auxiliar ainda mais no tratamento do distúrbio, com a possibilidade da realidade virtual: o paciente vivencia a situação que teme num cenário virtual e fictício, podendo descobrir por experiência própria a melhor forma de lidar com seus medos.

O tratamento para fobia social é gradual e pode levar anos para demonstrar efeitos definitivos – depende sempre da reação de cada indivíduo.

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